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#62 - 07/08/2019

Olá, assinante!

Este tem sido um ano de muitas movimentações no jornalismo mainstream brasileiro. Contratações foram anunciadas para a chegada da CNN Brasil, houve troca de comando na TV Cultura e até mudança de casa de jornalistas famosos. Naturalmente, existe muita rotatividade nas redações, mas o comum é que o vai-e-vem seja por competência ou oportunidade. Quando as razões são éticas, este é um assunto para… a newsletter do objETHOS!

CORTANDO NA PRÓPRIA CARNE

Na edição passada, comentamos rapidamente a demissão de Mauro Naves e a advertência a Dony De Nuccio, ambos da TV Globo. Parecia que o segundo tinha recebido um tratamento mais brando… mas não! De lá pra cá, novas informações vieram à tona e se descobriu que De Nuccio atuava muito longe das regras da empresa, e isso o levou a pedir demissão. A situação constrangeu o profissional - tido como promissor - e a cúpula do jornalismo da emissora, discretíssima nessas lidas.

Mas parece que ele não foi o único, e a Globo promete aprimorar suas normas. Pode até parecer excesso de zelo ou mania de grandeza do conglomerado ao querer controlar todos os movimentos de seus jornalistas, mas não se pode negar uma coisa: não é sempre que se vê no jornalismo brasileiro esforços para preservar credibilidade e evitar conflitos de interesses. Gestores e editores costumam fazer vista grossa quando colegas começam a ganhar dinheiro ou levar vantagens assim que ascendem profissionalmente. Enquanto isso não gera ciumeira, fofocas ou disputas internas, as coisas são mantidas. Infelizmente. O caso de De Nuccio não escapou do radar da ombudsman da Folha de S.Paulo, a Flavia Lima, no último domingo, e ela até explicou as regras do seu jornal para situações de conflitos de interesses.

Ao tratar do caso de forma pública (o que deve desagradá-la), a Globo expõe um problema delicado, sinaliza para outros funcionários que pode eventualmente aplicar punições e, por tabela, ganha uns pontos com quem se preocupa com ética jornalística. Mas o que mais a empresa poderia fazer nesses casos? O que outras fazem?

Outra coisa: o caso de Dony De Nuccio tem sido acompanhado de perto por Daniel Castro, que não tem aliviado o colega de profissão. O que você pensa disso: trairagem, transparência ou profissionalismo do colunista do UOL? Casos assim devem ser noticiados? Por quê? Conte pra gente.

PASSA LÁ!

Se você ainda não passou pelo site do objETHOS nesta semana, veja o que nossos pesquisadores andam escrevendo:

# Para a professora Vanessa Pedro, "o jornalismo também está em disputa e as formas narrativas fazem parte da investigação das possibilidades de narrar e de construir um debate com a sociedade". A autora chama a atenção para o fato de que a entrevista pode ser uma ferramenta para revelar
insanidades e contradições.

# O jornalismo brasileiro tem uma batalha primordial  afirma o professor Rogério Christofoletti: defender a liberdade de imprensa. Ela é até mais urgente que combater as fake news... não concorda? Vá conferir o texto.

ENTRANHAS DA REPORTAGEM

Na semana passada, o repórter Mauri König defendeu sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Dois destaques sobre isso: 1) o autor é um dos mais premiados jornalistas do país - e, recentemente, foi personagem de documentário sobre repórteres investigativos perseguidos; 2) sua dissertação trata de limites éticos e legais no jornalismo de infiltração, tema espinhoso na profissão e quase nunca enfrentado por profissionais e acadêmicos.

No trabalho, König entrevista nove jornalistas do Grupo de Investigação (GDI), uma espécie de Spotlight da RBS. Na mesa, temas como uso de câmeras ocultas, disfarces e outras técnicas de dissimulação para obter informações com fontes. Já pensou se todo grande jornalista se dispusesse a refletir sobre os intestinos da sua profissão?

RADAR
Ética digital é o tema dessa edição do Radar, já que o último número da Journal of Media Ethics traz artigos apresentados no 8º International Symposium on Digital Ethics. O evento aconteceu em novembro de 2018, na Universidade Loyola de Chicago.

Um dos textos discute como o design das mídias sociais molda e limita a experiência dos usuários, particularmente mulheres jovens, negros e com baixa renda. Ioana Literat e Melissa Brough questionam: se esses grupos também consomem assiduamente as novas tecnologias, por que suas vozes estão ausentes das conversas que circulam pelo Vale do Silício? O artigo reivindica noções como igualdade digital e softwares éticos.

Outro destaque é uma pesquisa que aborda as implicações éticas das interações entre jornalistas e audiências nas redes sociais. Teri Finnemann, Ryan Thomas e Joy Jenkins observam que expor os profissionais como uma "marca pessoal" pode conflitar com padrões éticos do jornalismo. Essa ênfase no indivíduo, e não na organização, seria influenciada, em parte, pela crise da profissão, tendo como principal consequência a falta de segurança dos trabalhadores. Um exemplo são as jornalistas, cujas interações com leitores são frequentemente marcadas por comentários abusivos e misóginos. Os danos podem impactá-las socialmente, psicologicamente e em suas carreiras profissionais.

 
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Não deixe também de acessar mais alguns lançamentos da última quinzena:

>> o 20º volume da Journalism Studies aborda jornalistas que atuam como correspondentes internacionais.
>> uma edição sobre games e filosofia na revista Intexto.
>> e-book gratuito sobre as relações entre umbanda, cultura e comunicação.
>> livro "Matrizes interacionais" reúne produções do grupo de pesquisa Dispositivos e Circuitos em Comunicação.
SECOS & MOLHADOS

>> “A Folha e a imprensa como um todo de forma geral trataram a Lava Jato com condescendência e agora colhem os frutos disso em forma de desconfiança”. A avaliação é da ombudsman da Folha de S.Paulo, Flavia Lima, num texto em que também defende escolhas editoriais do jornal. Aliás, é raro vermos na mídia nacional debates claros em torno de decisões do tipo.

>> Mídia, ética e cobertura de guerras. Que tal ler um curto ensaio do professor Sabahudin Hadzialic sobre o tema? O bósnio é um nome de destaque na academia do leste europeu.

>> Da Nigéria, Margaret Mwantok e Njadvara Musa fazem um relato sobre um painel sobre sobrevivência do jornalismo e ética na mídia, acontecido na Lagos State University.

>> A Ethical Journalism Network e o programa da Unesco para desenvolvimento da comunicação lançaram um manual para jornalistas reportarem discurso de ódio, terrorismo e violência. Em inglês, a publicação pode ser baixada aqui, e ela é originalmente voltada aos jornalistas do sudeste asiático.

>> Você já ouviu falar que Facebook e cia não fazem bem, né? O repórter Kyle Bessey escreve sobre como as redes sociais impactam na saúde mental dos jornalistas. Aliás, este é o tema do episódio 49 do podcast Vida de Jornalista, com participação de um psiquiatra e uma psicóloga.

>> Proteja suas contas com um kit básico de segurança digital para jornalistas.

AGENDE-SE

>> Chamada para o livro Midiatização, (in)tolerância e reconhecimento, com organização da Compós, até 09 de setembro.

>> Em 10 de agosto a revista Comunicação Pública encerra o prazo de recebimento de textos para o dossiê Desinformação, Jornalismo e Modelos de Negócio, edição prevista para sair em dezembro próximo.

>> Revista Âncora recebe até 16 de agosto artigos sobre estudos feministas e de gênero em jornalismo.

>> 15 de novembro é o último dia para enviar textos à revista Contexto, com dossiê sobre comunicação na América Latina.

>> Dossiê da Contracampo aborda trabalho de plataforma. Prazo: 11 de novembro.

>> Prorrogado para 12 de agosto os prazos de resumido expandido da XIV Conferência Brasileira de Comunicação Cidadã e o X Seminário ALAIC.


>> Vai até 12 de agosto também o prazo para submeter resumos expandidos para o 16º Congresso Ibercom, que será em Bogotá (Colômbia) em novembro. Veja mais aqui

>> 1º Seminário Avançado de Comunicação Política discute metodologias de pesquisa e participação eleitoral dos millenials. É na UFPR, dias 12 e 13 de agosto.

 


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Dairan Paul e Rogério Christofoletti assinaram mais esta cartinha. A próxima vai desembarcar na sua caixa postal em 21 de agosto. Até lá!

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Este é um produto do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), uma realização de professores e estudantes do Departamento de Jornalismo e do PPGJOR da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, Brasil.

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