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Temos a dupla missão de refletir sobre a fragmentação noticiosa no meio digital e de criar ferramentas e técnicas para identificar um jornalismo confiável e de qualidade na internet.
CONSÓRCIO DE MÍDIA - PROJETO CREDIBILIDADE / THE TRUST PROJECT
 
Veículos membros do Trust Project, desde maio/2019: Agência Lupa, Agência Mural, Folha de S. Paulo, Nexo Jornal, O Povo e Poder360Veículos em processo de adoção do MVP: Amazônia Real, Gaúcha ZH, JOTA, Jornal do Commercio e Nova Escola

O consórcio de mídia do Credibilidade inclui também: Abraji (parceira institucional), ÉpocaGazeta do PovoJornal da CidadeJornal de JundiaíO Estado de S. PauloO Globo, O Livre, piauíUOL e Valor Econômico.

Edição 39 | Fevereiro de 2020

O que há de novo

 

Ilustração: Reprodução de pesquisas relacionadas ao Trust Project e Projeto Credibilidade


Pesquisas acadêmicas questionam eficácia dos indicadores de credibilidade. Nosso projeto prevê uma estratégia integrada no combate à desinformação 

A edição de janeiro da revista Brazilian Journalism Research traz um artigo dos pesquisadores Marcelo TräselSílvia Lisboa e Giulia Reis Vinciprova sobre o Credibilidade. Publicado em inglês e intitulado Post-truth and trust in journalism: an analysis of credibility indicators in Brazilian venues (Pós-verdade e credibilidade em jornalismo: uma análise de indicadores de credibilidade em veículos brasileiros), segundo seu resumo, o trabalho "apresenta os resultados de uma análise de 23 produtores de conteúdo político do país com maior audiência no Facebook, a partir dos indicadores de credibilidade desenvolvidos pelo Projeto Credibilidade (Trust Project). Os resultados sugerem que, no cenário atual, não é possível distinguir o jornalismo de qualidade do pseudojornalismo a partir das características dos websites e matérias publicadas por produtores de conteúdo político."

A conclusão dos pesquisadores brasileiros traz similaridades com a do trabalho publicado em outubro de 2019 pelas pesquisadoras Cyntia PeacockGina Masullo e Talia Stroud, para o Center for Media Engagement/ University of Texas (CME). 

Em Story Labels Alone Don’t Increase Trust (Por si só, etiquetas de matérias não aumentam a credibilidade), segundo as pesquisadoras americanas, "o Center for Media Engagement queria descobrir se a etiquetagem de notícias, (usando etiquetas como notícia, análise, opinião ou conteúdo patrocinado) aumenta a credibilidade. Testamos dois tipos diferentes de etiquetas – etiquetas acima da matéria e etiquetas dentro das matérias. Também avaliamos se os leitores notaram e se lembraram das etiquetas. Descobrimos que nenhum dos tipos de etiqueta aumentou a credibilidade. Além disso, muitas pessoas não notaram ou recordaram com precisão as etiquetas, embora o recall tenha sido maior para a etiqueta explicadora dentro da matéria. Os resultados sugerem que as etiquetas não são eficazes por si só, mas podem ser úteis em conjunto com outras técnicas para transmitir credibilidade."

Num outro experimento do CME feito em 2018 com mais de 1.100 adultos nos Estados Unidos, os pesquisadores Alex Curry e Talia Stroud compararam as respostas a questionários apresentados a dois grupos de indivíduos. No primeiro grupo, os indivíduos viram artigos de veículos noticiosos apresentando os indicadores de credibilidade. Para o segundo grupo, os artigos foram apresentados sem os indicadores. Aqueles que viram os indicadores de credibilidade fizeram avaliações mais positivas sobre a reputação dos veículos noticiosos, incluindo sobre sua confiabilidade.

De forma geral, tanto o Trust Project quanto o Credibilidade estão cientes das limitações de uma estratégia restrita à adoção dos indicadores de credibilidade, como se fossem uma "bala de prata." Acreditamos que a adoção de informações padronizadas sobre compromissos éticos e protocolos editoriais no meio digital é um passo necessário – mas não suficiente – no enfrentamento da desinformação e na abordagem de questões relacionadas à governança de veículos jornalísticos.

Além dos indicadores, acreditamos numa estratégia integrada e contínua, que inclua também a checagem de fatos e uma educação midiática que ensine os valores e práticas que distinguem o bom jornalismo do ruído informacional. 

Aliás, tal abordagem integrada é recomendada pelo manual Jornalismo, Fake News e Desinformação, publicado pela Unesco em 2018 e traduzido para o português no ano seguinte. Segundo a publicação da Unesco, o trabalho desenvolvido pelo Trust Project é "uma das mais importantes iniciativas de padrões técnicos para organizações de notícias."

Por fim, os coordenadores do Projeto Credibilidade acreditam que o enfrentamento da desinformação também requer um debate urgente pela sociedade civil brasileira, via Congresso Nacional, sobre a mediação do discurso público no ambiente digital, incluindo questões relativas à liberdade de expressão e papeis exercidos pelas plataformas tecnológicas. 

ESTANTE VIRTUAL

                Fonte:  Ilustração revista MIT Technological Review

Coronavírus gera primeira "infodemia" via mídia social
Além de questões relativas à saúde pública, a eclosão do Covid-19 gerou a produção inédita, tanto em escala como em velocidade de difusão nas mídias sociais, de informações incorretas e maliciosas. Segundo artigo da dupla de repórteres Karen Hao e Tanya Basu, da MIT Technological Review, as mídias sociais têm compactado e distribuído informações, alimentando pânico e racismo, mas também esperança. Cunhado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no início de fevereiro, o termo "infodemia" refere-se a "uma superabundância de informações – algumas precisas e outras não – que dificulta que as pessoas encontrem fontes e orientações confiáveis quando precisam."

De acordo com o artigo, a OMS tem trabalhado em conjunto com as plataformas tecnológicas Twitter, Facebook, Tencent, TikTok e Google para combater a desinformação. "Mas a avalanche [de conteúdo problemático] superou os esforços coordenados para eliminar todo o ruído. Isso, por sua vez, criou um terreno fértil para conteúdo xenofóbico."

Por outro lado, relatos de histórias pessoais vindas sobretudo da China têm servido como uma forma de catarse, dando alguma esperança em meio ao pânico e toxicidade de grande parte do conteúdo veiculado.

 


Os 'deepfakes' estão na infância. Os 'cheepfakes'  já são ameaça global 
Apesar de serem mais toscos, porém mais fáceis e rápidos de produzir, os chamados "deepfakes" – manipulações de vídeos que alteram a velocidade e fazem edições truncadas, a fim de cortar, adicionar e re-encenar a filmagem original – apresentam um risco maior no espaço digital. Segundo o artigo Deepfake, cheapfake: the internet next earthquake? (Deepfake, cheapfake: o próximo terremoto na internet?), publicado pela organização americana Deep Trust Alliance, enquanto os "deepfakes" estão na infância, os cheapfakes são uma ameaça imediata em escala global.

De acordo com a publicação, "3,5 bilhões de humanos já possuem câmaras avançadas, com edição, filtros, síntese e mesmo ferramentas de IA [inteligência artificial] em seus smartphones. Com a propriedade de smartphones aumentando rapidamente em todo mundo, a escala do risco é inédita."


Ainda segundo a Deep Trust Alliance, o combate aos cheepfakes prevê três iniciativas principais:
1. Soluções técnicas que empoderem usuários de smartphones
2. Novas leis capazes de equilibrar privacidade e segurança
3. Educação sobre os prejuízos causados pela desinformação, suas implicações e soluções

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