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Temos a dupla missão de refletir sobre a fragmentação noticiosa no meio digital e de criar ferramentas e técnicas para identificar um jornalismo confiável e de qualidade na internet.
PROJETO CREDIBILIDADE / THE TRUST PROJECT
 
Veículos membros do Trust Project, desde maio/2019: Agência LupaAgência MuralFolha de S. PauloNexo JornalO Povo Poder360.  

Veículos em processo de adoção do MVP: A GazetaAmazônia Real, Gaúcha ZH, Jornal do CommercioJOTA, Ponte Jornalismo e UOL

Parceira institucional: Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo)

Edição 47 | Outubro de 2020

THE TRUST PROJECT 


Pesquisa questiona o futuro da credibilidade jornalística

Realizada em parceria entre o instituto de pesquisas Ipsos e o Trust Project em 29 países, incluindo o Brasil, a pesquisa Trust Misplaced? A report on the future of trust in the news examina fatores que irão impactar o futuro dos conceitos de confiança e verdade no âmbito noticioso. Publicada em 14 de outubro, durante a conferência anual da Online News Association (ONA), a pesquisa revela que se por um lado a maioria dos entrevistados diz buscar notícias confiáveis, por outro eles podem estar vulneráveis à desinformação. Segundo os principais indicadores globais:

  • 82% dos adultos pesquisados dizem buscar notícias confiáveis
  • 27% dizem estar dispostos a pagar por elas
  • Duas em cada três pessoas acessam apenas notícias que podem obter gratuitamente
Para Sally Lehrman, diretora do Trust Project, "esses resultados me dão esperança e também apresentam um quadro desafiador. Como construímos a disposição [do público] de pagar pelas notícias e, ao mesmo tempo, atendemos aos que precisam de informações gratuitas?" 

Ainda segundo Lehrman, à medida que o acesso pago a sites noticiosos aumenta, através dos "paywalls", as camadas mais pobres das populações encontram-se vulneráveis a provedores de informação de baixa qualidade. Mas a disposição de mais de um terço dos entrevistados de pagar por notícias que julgam confiáveis apresenta uma oportunidade de monetização significativa para veículos que investem na transparência e princípios éticos.

A partir dos resultados globais das entrevistas realizadas pelo Ipsos com 18.998 adultos entre os meses de maio e junho, o Credibilidade selecionou quatro indicadores sobre 15 dos países pesquisados, destacando o Brasil: 





 
Abaixo, um resumo dos comentários de Matt Carmichael, vice-presidente de estratégia editorial do Ipsos, e editor da revista What the Future, feitos durante a apresentação na conferência ONA20:
  • As pessoas têm acessado muitas notícias através de muitas fontes [TV, mídia social, sites noticiosos via computador, aplicativos noticiosos via celular ou tablet, rádio, jornais ou revistas impressas]
  • Tipicamente, as pessoas obtêm as notícias de fontes para as quais não pagam (mas um número razoável tem pagado)
  • As pessoas confiam no conteúdo compartilhado por pessoas conhecidas, e também frequentemente por pessoas desconhecidas
  • As pessoas não acreditam serem alvo de desinformação
  • As pessoas superestimam sua capacidade de detectar desinformação e falsidades 
  • Indivíduos nativistas e populistas são suscetíveis de serem alvos de desinformação que reforce suas crenças e sua descrença em experts que buscam a verdade [cientistas e jornalistas]
ESTANTE VIRTUAL
 
Reprodução site Craig Newmark School of Journalism
 
Scientific American: Quando uma jornalista vira agente da desinformação

Em artigo para a edição de outubro da revista Scientific American, a editora Jen Schwartz descreve sua própria experiência numa atividade da Craig Newmark Graduate School of Journalism para simular a cobertura de veículos noticiosos quando confrontados com campanhas de desinformação na eleição presidencial americana. 

Criada pelo centro de estudo First Draft, que mantém uma parceria com a escola, a simulação realizada em fevereiro visava reproduzir as condições de trabalho e desafios impostos por ondas sucessivas de informações falsas e enganadoras no dia da eleição presidencial, incluindo a competição entre veículos noticiosos autênticos e as fábricas de propaganda política e a reação do público. 


A fim de reproduzir as condições reais de trabalho de um veículo noticioso, os participantes contavam com um painel de controle em suas desktops com os seguintes recursos: caixa de e-mail, sistema de mensagens interno da redação, plataforma de microblog semelhante ao Twitter e plataforma de mídia social semelhante ao Facebook. 

Escalada pelos organizadores da atividade para encarnar a editora-chefe de uma publicação de conteúdos deliberadamente falsos e venenosos que se faz passar por veículo noticioso de extrema direita, Schwartz narra em detalhes sua estratégia para enganar repórteres em busca da verdade factual. 

A partir de uma "dica" recebida por email de que eleitores americanos poderiam votar por mensagem de texto, o grupo liderado por Schwartz começou a explorar a informação de forma maliciosa, mas sem incorrer na produção de mentiras escancaradas: 

"Pautei um repórter para escrever um tuíte que aumentaria a confusão sem apoiar abertamente a mentira. Depois de uma rápida edição, postamos: Ouvimos dizer que é possível votar por mensagem de texto. Você já tentou votar por SMS? Conte pra gente sobre sua experiência!"


Ao final de várias tentativas bem sucedidas de tentar confundir jornalistas e o público, Schwartz diz ter experimentado uma forte euforia no papel de agente da desinformação. Sua conclusão: "Tratava-se de estabilidade e realidade compartilhada versus desorientação e caos. E na simulação daquele dia da eleição de 2020, o caos venceu ao suprimir a votação."

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