Copy

Temos a dupla missão de refletir sobre a fragmentação noticiosa no meio digital e de criar ferramentas e técnicas para identificar um jornalismo confiável e de qualidade na internet.
CONSÓRCIO DE MÍDIA - PROJETO CREDIBILIDADE / THE TRUST PROJECT
 
Veículos membros do Trust Project, desde maio/2019: Agência LupaAgência MuralFolha de S. PauloNexo JornalO Povo Poder360.  

Veículos em processo de adoção do MVP: Amazônia Real, Gaúcha ZH, Jornal do CommercioJOTA, e Nova Escola

Parceira institucional: Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo)

Edição 41 | Abril de 2020

O que há de novo


Veículos informam percentual de receitas advindas do governo

Seguindo recomendação do Trust Project e do Credibilidade, veículos brasileiros iniciaram a publicação dos números percentuais de suas receitas de publicidade e patrocínios provenientes de governos municipais, estaduais e federais e de empresas estatais. 

A informação já está disponível nos sites de Poder360 e Jornal do Commercio, o diário pernambucano próximo de concluir a implementação da primeira fase do Mínimo Protocolo Viável (MVP) do projeto. Agência Lupa, Agência Mural e Nexo Jornal declaram não ter recebido verbas oficiais em 2019. Folha de S.Paulo indicou que irá publicar, em breve, na página relativa ao Credibilidade, os dados sobre receitas obtidas com verbas oficiais.

A recomendação faz parte do indicador Melhores Práticas e considera que organizações noticiosas devem manter transparência em relação a suas fontes de financiamento, revelando eventuais conflitos de interesse na cobertura de assuntos governamentais. 

ESTANTE VIRTUAL

Estudo compara pauta local ao que as pessoas querem saber na pandemia

Pesquisa do Center for Media Engagement comparou o conteúdo divulgado em rede social por veículos de jornalismo local e os interesses informativos de internautas norte-americanos em meio à pandemia de Covid-19. O trabalho intitulado "Covering Coronavirus: A Snapshot of the Information People Want and What Newsrooms Are Reporting” é assinado por 13 pesquisadores ligados à Universidade do Texas, em Austin.  

O levantamento teve por base postagens realizadas no dia 23 de março, no Facebook, por jornais e emissoras de rádio e televisão de cobertura local nos Estados Unidos. No mesmo dia, os autores perguntaram a 999 internautas quais informações eles gostariam que fossem compartilhadas pelos veículos. 

Os resultados mostram que tanto os veículos quanto os internautas valorizaram, principalmente, notícias sobre ações do governo local e estadual em resposta à pandemia, bem como o número de pessoas que testaram positivo em suas localidades.

Temas de saúde e orientações sobre o que fazer caso alguém apresente sintomas de contágio foram os que obtiveram maior envolvimento do público, com curtidas, comentários e compartilhamentos.

Já postagens sobre efeitos econômicos da crise e o modo como empresas locais foram afetadas, apesar de frequentes na cobertura jornalística, receberam atenção um pouco menor das audiências.

"As pessoas também queriam informações sobre serviços críticos em suas vidas cotidianas”, pontuam os autores, citando, como exemplo, histórias sobre como hospitais, supermercados e governos locais estavam respondendo ao coronavírus, quais restrições locais e estaduais estavam em vigor, além de verificação e checagem de informações erradas que circulavam em âmbito local.
 
Pesquisadora alerta para fadiga psicológica da cobertura da Covid-19

Em artigo publicado no site do Markkula Center for Applied Ethics, a pesquisadora Anita Varma alerta para a fadiga psicológica decorrente da superexposição jornalística de números de mortos e infectados pelo novo coronavírus associados a histórias pessoais de trauma e dor. Diretora assistente do programa de Jornalismo e Ética Midiática, ela critica a adoção generalizada de abordagens "binárias" que combinam estatísticas frias e perfis individuais de vítimas em extremo sofrimento. 

Segundo Varma, esses relatos tendem a gerar três tipos de efeitos sobre leitores: (1) as pessoas ficam angustiadas, (2) culpam as vítimas ou (3) ficam entorpecidas e se afastam do tema. O resultado, diz, é o que psicólogos sociais chamam de "fadiga da empatia" ou "excitação empática”, o que, segundo ela, já se verifica na cobertura da pandemia.

"Uma alternativa melhor é que jornalistas humanizem comunidades e pessoas afetadas com uma ética de solidariedade." Para isso, ela recomenda focar a cobertura nas comunidades, em vez de em indivíduos ou populações, de modo a representar o ponto de vista das vítimas da Covid-19 sem reduzi-las às estatísticas de morbidade e mortalidade. 

Neste vídeo, Varma também discute outros aspectos éticos da cobertura jornalística sobre a pandemia e seus efeitos sobre o público, em diálogo com Thor Wasbotten, diretor do Markkula Center for Applied Ethics. 
O Projeto Credibilidade é financiado por:

Copyright © 2020 | Projeto Credibilidade. Todos os direitos reservados.
Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo - Projor
Programa de Pós-Graduação em Mídia e Tecnologia - Unesp


Quer alterar a forma como você recebe esse email?
Você pode atualizar suas preferências or cancelar o recebimento