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Edição 1 | Dezembro de 2016
Projeto Credibilidade é o capítulo brasileiro do Trust Project. Eles têm uma dupla missão: refletir sobre a fragmentação noticiosa no meio digital e criar ferramentas e técnicas para identificar e promover um jornalismo confiável e de qualidade na internet. 

Consórcio de mídia

O consórcio de mídia do Projeto Credibilidade conta com representantes dos veículos parceiros do projeto (lista ao lado). Em pauta, os resultados da pesquisa realizada com jornalistas brasileiros e a discussão de um diagnóstico sobre atributos de credibilidade da notícia em meio digital. Formado pela Abraji e doze veículos líderes da chamada grande imprensa e da imprensa local, o consórcio nasce com uma dupla missão: refletir sobre a fragmentação noticiosa no meio digital e criar ferramentas que identifiquem o jornalismo de qualidade. 
Próximos passos: Primeira reunião do grupo de trabalho em data a ser definida.

Hackathon Trust Project

BBC News Labs

Nos dias 30/11 e 1/12, a BBC sediou em Londres um evento do Trust Project para criar protótipos de ferramentas — plug-ins simples de código aberto — capazes de diferenciar notícias qualificadas do ruído on-line. Além do BBC News Lab, participaram veículos como The Economist, The Guardian, La Stampa e jornalistas americanos. Para criar protótipos, as equipes se debruçaram sobre nove indicadores prioritários de credibilidade:

  • Melhores práticas (políticas sobre ética, diversidade, correções etc.)
  • Currículo do autor
  • Citações e referências
  • Etiquetas para diferenciar notícias, análise, opinião (e publicidade)
  • Reportagem original
  • Local (contexto e antecedentes da notícia, localização do autor no momento da redação)
  • Diversidade de vozes
  • Feedback acionável para o público e redação
  • Geo-localização para matérias

Ao final do hackathon, o prêmio de melhor protótipo para plataforma foi para o La Stampa. The Economist levou o de melhor ferramenta para a redação.  

ESTANTE VIRTUAL
 

O que define o jornalismo de qualidade? Como construir um sistema confiável em grande escala? 

O jornalista francês Frederic Filloux, bolsista do programa JSK da Universidade Stanford, se pergunta sobre como definir um conceito subjetivo de qualidade, como o de um conteúdo informativo, atribuindo-lhe também métricas. A resposta, ele diz, está na definição de sinais relevantes de qualidade capazes de ser lidos por computadores. Acrescenta que o trabalho mais adiantado nesse campo é desenvolvido pelo Trust Project.


Difusão de notícias falsas na internet 

No Financial Times, matéria de Richard Waters reporta sobre as decisões do Google e do Facebook de restringir a veiculação de anúncios em sites de notícias falsas que tem inundado a internet na campanha presidencial americana. O artigo cita Sally Lehrman, diretora do Trust Project e do Centro Markkula para Ética Aplicada da Universidade de Santa Clara. Ela diz que a difusão de notícias falsas na internet destacou a dificuldade que os distribuidores de notícias como Google e Facebook, além dos internautas, tiveram em distinguir notícias falsas on-line. O First Draft publicou uma linha do tempo reunindo artigos analíticos sobre o debate a respeito de mentiras durante a campanha americana.

A distinção entre informação verdadeira e falsa é crítica na indexação e publicação em plataformas como Facebook e o Google. No Guardian, Caroline Cadwalladr criticou os resultados de busca do Google que associavam a palavra judeus ao conceito de maldade em inglês. Em seguida, segundo Samuel Gibbs, em outro artigo do Guardian, o Google alterou seu algoritmo de busca que se autocompleta para remover a sugestão de que "judeus são maus" no idioma inglês.

Por sua vez, o artigo de Kyle Chayka no site The Verge diz que a configuração móvel de notícias do Google AMP e o Instant Articles do Facebook favorecem sites de notícias falsas. De acordo com Devin Coldewey do site Techcrunch, o Facebook já começou a pedir aos usuários para indicar artigos com linguagem enganosa.

No Brasil, uma pesquisa do site BuzzFeed local com notícias sobre a Operação Lava Jato distribuídas pelo Facebook mostrou que as falsas tiveram maior taxa de engajamento do que as verdadeiras. A International Fact-Checking Association, incluindo seus integrantes brasileiros Agência Lupa, Agência Pública - Truco e Aos Fatos enviou uma carta ao CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, propondo um trabalho conjunto para definir critérios claros de identificação de notícias falsas. Já o Aos Fatos publicou um artigo de Sérgio Spagnuolo que permite ao público fazer sua própria checagem de fatos e detectar notícias falsas.


Notícias falsas merecem proteção constitucional? 

Na Bloomberg, o colunista Noah Feldman, que é professor de direito em Harvard, afirma que a ascensão de notícias falsas representa um sério desafio para a primeira emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de imprensa. Valendo-se de filósofos como John Stuart Mill e de economistas como George Akerlof, Feldman sugere que por encorajar a irracionalidade e dificultar o debate público prejudicando, portanto, o bom funcionamento da democracia notícias falsas não merecem proteção constitucional.


Estudo de Stanford mostra que estudantes não distinguem entre notícias verdadeiras, falsas e publicidade nativa 

Um estudo de Stanford com 7 804 alunos americanos do ensino fundamental, médio e superior mostrou que a maioria absorve notícias em redes sociais sem considerar a fonte. Entre alunos do ensino médio, 82% não souberam distinguir entre um "conteúdo patrocinado" e uma reportagem jornalística de fato. "Nossos 'nativos digitais' sabem navegar entre Facebook e Twitter, enquanto carregam um selfie no Instragram e enviam uma mensagem de texto a um amigo," diz o estudo. "Mas quando se trata de avaliar informações obtidas em canais de mídia social, são facilmente enganados." Aqui, a reportagem do WSJ.


Ascensão de sites de fact-checking na Europa

Novo relatório do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo indica que pelo menos 34 grupos especializados em checagem jornalística já operam na Europa. Enquanto nos países nórdicos e da Europa Ocidental a maioria de sites de fact-checking integra as redações, na Europa Oriental eles tendem a ser operados por ONGs. Segundo a pesquisa, 75 porcento dos fact-checkers disseram se considerar jornalistas, enquanto 40 porcento se disseram ativistas. Aqui, a matéria do site journalism.co.uk.


Adobe desenvolve um "Photoshop para voz", um novo desafio para a integridade de áudios jornalísticos

A Fast Company reporta que a Adobe desenvolve uma tecnologia capaz de reproduzir os mais diversos timbres da voz humana. Criado em parceria com a Universidade Princeton, o Project VoCo foi apresentado pelo desenvolvedor Zeyu Jin em recente evento da Adobe. Segundo Jin, a nova ferramenta poderá "mudar o que você disse em seu casamento." Inicialmente, o sistema grava uma amostra da voz humana e disseca sua onda acústica. Em seguida, aplica o padrão da voz gravada a diferentes palavras, à semelhança de um editor de texto.

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Programa de Pós-Graduação em Mídia e Tecnologia - Unesp


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