Copy
Discussões de cultura pop (or not) em doses semanais
Visualizar no seu navegador

Cartas Marcadas #0

1 de Novembro de 2016

Oi.

Nessa vida, tudo precisa começar de algum jeito. Parece que o melhor jeito é esse mesmo, “oi”. É simples? É. Mas tem um tom positivo, animado, até um quê de “com licença, desculpa te incomodar, é que…”. É que temos algo a dizer. É que a gente gosta (bastante) de falar, ler, escrever, pensar sobre cultura. É que, de tanto falar um com o outro sobre isso, acabamos sempre com aquela energia para fazer algo a mais e não deixar o papo morrer ali.

E, no nosso mundo em que tanta gente fala sobre tanta coisa, por que não colocar nossos dedinhos no meio dessa prosa toda? Pois é. Então, estamos falando.

Ou tentando. Resolvemos começar uma newsletter, essa aqui, mais especificamente - ou, se você é do #timenostalgia, um boletim informativo. A ideia é falar de coisas legais. Coisas, assim mesmo, bem indefinido. Gostamos de filmes, músicas, livros, séries. Mas a gente também adora podcast, show, exposições, concertos, comida, textos perdidos aí pela internet...

Porque cultura é tudo isso aí. E sabe quando uma receita diz “misture até ficar homogêneo”? Isso aqui é bem o contrário. Vai tudo misturado ao nosso bel prazer, no melhor estilo larica cultural, fazendo ou não sentido. Inclusive, não nos responsabilizamos se você sair mais confuso do que entrou. Afinal, a esses ingredientes, vamos adicionar nossos pitacos, palpites, interpretações e reflexões na madrugada abandonada e não atend...não, pera, volta.

“Cartas Marcadas” funciona assim: primeiro, textão, né, miga? Um de cada um dos autores, trazendo algo que nos interessou recentemente + considerações sobre o tema. Depois, duas dicas, num texto bem curtinho (de verdade). Tudo devidamente linkado, gifado e até memeado para ser dinâmico, moderno e te fazer cair naquela espiral maluca de internet com 12 abas abertas no navegador em que você de repente se pergunta como chegou ali.

Pelo menos, por enquanto. Como dissemos, tentamos. Se não estiver dando certo (pra vocês e pra gente) assim ou assado, mudamos. Ah, e como coisa boa é coisa com exceção, visto que essa intro já tá um textão, o Marca Textos #0 traz apenas o texto do Emannuel. Não se preocupa: na edição #1, a gente compensa.

Por fim - a gente jura que é o fim - estamos super abertos a sugestões, dicas, perguntas. Queremos saber o que vocês acham, queremos começar um diálogo. A conversa não termina aqui. Os contatos estão todos ali no finzinho do tal boletim informativo.

Um abraço e boa leitura,

Emannuel e Marília, não necessariamente nessa ordem.

Marca-textos

Notícias e comentários sobre o que está ocupando nossas cabeças e os holofotes
 
Quem se lembra da Internet?
Por Emannuel

Eu não sou o maior fã de documentários do mundo. Meu conhecimento sobre cinema já é bem limitado, e no que se refere a esse tipo de filmes é ainda menor. Um dos poucos cineastas que se dedica ao gênero com o qual tenho alguma familiaridade é Werner Herzog. Curiosamente, o conheci através da ficção, com “Além do Azul Selvagem”. Deste então, o alemão cada vez mais vem voltando sua atenção aos documentários, como o belo “A Caverna dos Sonhos Esquecidos”, e, este ano, lançou “Lo and Behold!”, que me inspirou a escrever hoje.

O filme trata da vida conectada, mostrando um pouco da história das tecnologias de informação e como essas mudaram – e vão continuar a mudar – a nossa sociedade. Estavam presentes, portanto, dois temas que tem me interessado muito e podem ser recorrentes aqui nessa newsletter: a utilização da narrativa como um recurso à verdade na arte contemporânea e tecnologia. O primeiro é uma coisa que todos os documentários, de uma forma ou de outra, nos fazem refletir sobre; já a segunda, é mais difusa. É divertido especular sobre como celulares e computadores vão evoluir e nos influenciar daqui a décadas, ou mesmo séculos, tanto quanto é legal imaginar viagens espaciais e como torná-las realidade. Só que, entre o hoje e esse futuro distante, existem muitos percalços que nem podemos imaginar. Alguns deles são grandes e estão aí, em vários livros de ficção científica e distopia. Pode ser uma mudança climática causada pelos seres humanos, uma epidemia ou mesmo um desastre nuclear (nunca entendo porque as pessoas hoje em dia não são tão receosas com isso quanto eram na época da Guerra Fria). Outros são muito menores, e muitas vezes sequer conseguimos imaginar. Dentre todos esses pequenos e possíveis glitches no sistema apresentados em “Lo and Behold!”, um dos que mais prendeu a minha imaginação foi a de uma Idade das Trevas da Internet.

Se você está um pouco enferrujado na hora de lembrar das aulas de história, Idade das Trevas é um dos nomes (mais comum nos países de língua inglesa) para a Idade Média. Ela recebeu essa definição porque os primeiros historiadores modernos consideravam que, naquele período, o conhecimento clássico havia se perdido, e algo parecido só havia voltado a existir com o Renascimento. O eurocentrismo dessa visão pode ficar para outra semana, quem sabe, mas o importante é que esse termo pode, muito mais habilmente, ser usado no futuro para o período em que nós estamos vivendo agora. Os motivos para isso podem ser resumidos em dois: obsolescência, programada ou não, e volume de conteúdo.

Segundo a Lei de Moore, o poder de processamento dos computadores costuma dobrar a cada 18 meses. Existem divergências, com algumas pessoas achando que esse ritmo tem acelerado e outras que tem diminuído. De uma forma ou de outra, esse terreno é fértil para a aceleração de uma sociedade de consumo que já existia, de uma forma ou de outra, desde o começo do capitalismo. A questão é que, agora, esse consumo está relacionado não apenas ao nível material e à forma que temos de receber conteúdo, mas também ao de sua produção. Se, antes, todas as notícias saíam num jornal impresso, era sempre possível conservar essa informação de forma física, embora muitas vezes pudesse dar muito trabalho. Hoje, esse mesmo jornal publica a maioria de suas notícias on-line. Uma simples mudança para um servidor mais eficiente ou mais barato pode significar a perda parcial ou completa de todo esse arquivo. Mas isso não se resume aos meios de comunicação oficiais. Lembra do Orkut? Pois é. Hoje existem várias versões que copiam a rede social mais popular entre os brasileiros de quinze anos atrás, assim como arquivos de comunidades e posts em diversos níveis de oficialidade. Mas o fato é simples: a maior parte do que existia lá se perdeu. Você simplesmente não pode mais ler aquele depoimento que você não aceitou porque tinha informações que você não queria divulgar. Mesmo os esforços para salvar algumas coisas de lá que existem hoje são mais fruto de saudosismo do que de uma luta pela memória. E, é de se esperar, vão se perder quando essas pessoas não tiverem mais o interesse de manter essas recordações.

Mas não são só suas lembranças de juventude que correm esse risco. Potencialmente, todo o conteúdo hoje existente na internet será perdido. Talvez isso demore muito tempo, até a rede chegar num ponto de saturação extremo, ou talvez isso esteja mais próximo do que imaginamos e a cada dez anos, por exemplo, haja uma total renovação do ambiente digital sem que sequer percebamos. Claro, nem tudo está perdido. Existem muitas empreitadas que buscam solucionar esse problema. A criação de um arquivo digital, de um sistema anfíbio que pode ser usado no futuro ou, o que me parece mais interessante de todos, a ideia de concretizar a internet em mídia impressa. Um grupo de pessoas, por exemplo, se dedica a imprimir toda a Wikipédia para o caso de um eventual fim da internet (que pode acontecer de modos mais fáceis do que imaginamos, como o filme de Herzog bem mostra) mas seria, na prática, uma forma de preservar esse conteúdo para a história.

Engraçado pensar que, caso a humanidade ainda exista daqui a mil anos, o mais provável é que ela aprenda sobre nós através dos bons e velhos livros.

Recomendações

Minha primeira recomendação vai para um podcast (em inglês) que conheci há pouco tempo mas já se tornou meu preferido. No Such Thing as a Fish é um programa semanal que traz fatos e curiosidades que alimentam o lado mais nerd em cada um de nós. Aqui você vai descobrir como uma tartarga se tornou o animal mais rápido do mundo, onde surgiram os saltos-altos ou quanto tempo você precisa nadar para a piscina onde você está entrar em ebulição. - Emannuel
Minha primeira recomendação também é um podcast, também em inglês. A equipe responsável por Welcome to Night Vale criou um novo podcast de ficção, chamado The Orbiting Human Circus (of the Air), que está em seu segundo episódio. O programa conta a história por trás de show de rádio que é transmitido do topo da Torre Eiffel, seguindo as (des)venturas do zelador. Para quem gosta de históricas malucas, com seres estranhos e muito mistérios, é uma boa pedida. - Marília

Quem somos

Emannuel
Dentre todos aqueles adjetivos que, ao longo da vida, colecionamos para descrever quem somos, o que melhor me representou sempre foi "escritor". Não é só o que eu faço, é também meu jeito de encarar a vida, minha ambição e minha desculpa. Você pode conferir as resenhas musicais que escrevo no You! Me! Dancing!, os textos literários no TalvezBlog ou filosofias e divagações pessoais no Medium.
Marília
Não costumo escrever e dificilmente deixo as pessoas lerem o que escrevo. O Cartas será uma experiência nova - minha primeira inserção nesse mundo de conteúdo escrito online. Gosto mesmo de ler. Sou a louca do Goodreads e acumulo livros pelas bolsas, mochilas, mesas, estantes e no Kindle. Sou viciada em cultura pop, acumulo newsletters na caixa postal e sofro de nostalgia crônica.

"[Gênio] é [a pessoa] capaz de tudo. De vez em quando uma questão aparece do nada: seriam obras-primas álibis?" 

- Jean Cocteau

Quer falar com a gente? Fazer sugestões? Dar uma dica?
Escreva para cartasmarcadas.newsletter@gmail.com

Não quer mais receber esses e-mails?
Você pode atualizar suas preferências ou sair dessa lista

 






This email was sent to maro.ramos@gmail.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Cartas Marcadas · Centro · São Paulo, SP 00000-000 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp