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Discussões de cultura pop (or not) em doses semanais
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Cartas Marcadas #6

20 de dezembro de 2016

Nesta edição especial, entramos naquele clima de fim de ano inescapável e escolhemos as coisas que, para nós, bem ou mal marcaram a cultura em 2016. Como vocês devem ter percebido, ela chega com um pouco de atraso. Aparentemente, voltar e avaliar 2016 foi mais difícil do que pensávamos. Esperamos que essa listinha de coisas seja suficiente para passar por esse período festivo ou até para ajudar na hora de curtir com as pessoas próximas. A newsletter vai respirar por algumas semanas, para que nós também possamos curtir as comilanças e comemorações, mas voltamos em 2017 com tudo e mais um pouco. Enquanto isso você pode conferir nossas edições anteriores ;)
Ótimo fim de ano e até logo!
- Emannuel e Marília. 

Livro do ano

(Considerando todos os que lemos, independentemente da data de publicação)
Sabe aqueles clássicos que a gente sempre enrola para ler? Ou sentimos que precisamos ler por obrigação? Quando me dispus a ler "Guerra e Paz" foi um pouco assim. Ainda mais porque literatura russa nunca foi uma das minhas preferidas. Mas fiquei impressionado. Nunca tinha visto personagens crescendo tão nitidamente na frente dos meus olhos. Se foram necessárias mil páginas para isso, não faz mal. A reimpressão em 2016 foi um dos últimos presentes que a Cosac nos deu (e ainda disponível). - Emannuel
Me desafiei a ler 40 livros esse ano. Foram 41 até agora e "A Resistência", de Julián Fuks, foi o melhor. O romance levou os prêmios de melhor romance e livro de ficção do ano no prêmio Jabuti. Os capítulos são curtos e intensos, desses que nos fazem fechar o livro para refletir e respirar um pouco. Pra dar conta no espaço: sinopse do livro + críticas na Folha, n'O Globo e n'O Estado de São Paulo (minha favorita). - Marília

Filme do ano

2016 foi um ano de poucos filmes. Aquarius foi meu favorito, mas todo mundo já ouviu falar dele. Pra não chover no molhado, aqui vai meu segundo favorito. Por recomendação de um amigo querido, vi O Botão de Pérola no CineSesc em julho. É meio que uma continuação de outro filme do Guzmán, Nostalgia da Luz. Prefiro não descrever, primeiro, porque não conseguiria e segundo, porque acho bom assistir assim, de sopetão, sem saber o que esperar. Mas, pra quem quiser, tem uma crítica bem interessante da Piauí aqui. - Marília
Cinematograficamente, 2016 foi um ano muito fraco para mim. Poucos filmes me deram vontade de ir no cinema, e mesmo esses, não consegui ver, por um problema ou outro. Mas aí, perto do fim de ano, surge um filme que une várias coisas que adoro. O meu lado nerd adora ficção científica. E o meu lado cult adora um filme que me faz pensar. "A Chegada" une essas duas coisas e acrescenta a atuação maravilhosa de Amy Adams e ainda faz a proeza de não se render aos clichés do gênero e fazer um filme de ação ou terror, mas sim um filme sobre linguística e a esperança através da ciência - Emannuel

Série de 2016

Me rendi ao hype e decidi escolher "Stranger Things", da Netflix, como a série que marcou o ano para mim. Existem muitos motivos para isso: a vontade de ver tudo de uma vez, a avalanche que foi a repercussão nas mídias sociais e mesmo a relevância social, que faz com que pensemos se esse bem-bolado de todas as nossas lembranças nostálgicas é realmente o que queremos ou só o que somos ensinados a querer. - Emannuel
Nessa categoria, resolvi escolher entre séries que estrearam em 2016 em vez de temporadas novas de séries existentes (por isso, nada de Black Mirror ou Gilmore Girls). Daí que vai ter repeteco aqui: Stranger Things definitivamente marcou meu 2016. Apesar de todo o hype e da comoção nas redes sociais (que me dá certa preguiça), a produção apelou, com sucesso, pro meu lado nostálgico, juntou, ainda, uma história bem interessante, diversas referências de cultura pop e estética incrível. Fez, inclusive, com que eu contornasse meu desconforto com sustos para terminar a temporada. Vale o bafafá que foi. - Marília

Destaque em Podcast

Não poderia ser outro: Books on the Nightstand chegou à sua última temporada em julho de 2016. O site vai ficar no ar por mais dois anos, disponibilizando todos os episódios, referências e notas. Tô me aproveitando disso para matar a saudade do Michael e da Ann. - Marília 
É muito previsível repetir algo que já recomendei esse ano. Mas não poderia ser diferente. Eu escuto o No Such Thing As A Fish quase todos os dias, repito os episódios sem dó, e mesmo assim sempre aprendo algo novo. - Emannuel

Música do ano

Warpaint é um banda cujo som muda muito de um álbum para outro. Até agora, ao meu ver, elas ainda não conseguiram igualar o feito do primeiro disco. No entanto, para faixas individuais, ficam cada vez melhores. Se "Love is to Die" se destacou no anterior, esse Heads Up já valeu por "New Song", uma canção sensual e grudenta. - Emannuel
Abracei meu lado bagaceira há anos e nunca mais olhei pra trás. Cocei pra não dar o prêmio pra Sorry, afinal, a música me fez ouvir Justin Bieber, sabe? Porém, pensado sobre o tanto de música legal desse ano, não teve jeito: deu Formation, da Beyoncé. Além do clipe maravilhoso, a letra é foda e me deixa arrepiada toda vez que escuto. - Marília 

Álbum do ano

Pouco filme mas muita música nesse ano. Bowie, Beyoncé, Metá Metá, Anderson .Paak, Mahmundi, Frank Ocean, Chance the RapperSolange... Foda escolher. A decisão foi por recorrência: Orgunga, do Rico Dalasam, foi o álbum que mais ouvi esse ano. As músicas têm estilos diferentes, com uma pegada comum e letras maravilhosas. Além disso, a voz do Rico, e a confiança que ela passa, são demais. - M
David Bowie foi uma pessoa muito importante na minha vida. Sua obra, como um todo, é uma daquelas poucas com as quais eu sinto uma conexão real, não simplesmente uma apreciação estética ou algo parecido. Sem ele eu não poderia ser quem sou hoje. Ainda estou tentando lidar com o fato de que nunca vou vê-lo ao vivo, que ele não vai mais revolucionar a música. Mas suas canções, como as de "Blackstar", vão me acompanhar por toda a vida. - E

Medalha "Não entendo mas gostei"

(Para manifestações artísticas e culturais sobre as quais não entendemos nada)
Talvez o cinema e as séries tenham estragado minha sensibilidade, mas sempre que vejo uma peça sinto aquele incomodo de expetativas não realizadas. Esse próprio estranhamento estimula o pensamento e nenhuma teve esse efeito tanto quanto O Rinoceronte, de Eugène Ionesco, na adaptação da Companhia Os Hypócritas, no Teatro do Ator. - Emannuel
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Uma amiga linda me deu ingresso para assistir um dos concertos do Festival Beethoven no Theatro Municipal de São Paulo (ir ao Municipal já é uma experiência em si). Assisti (?) a Sinfonia n. 4 e, apesar de não entender nada de música erudita, ao vivo é sempre muito legal. Fico triste porque esqueço que isso existe e quero ficar mais atenta para concertos em 2017. - Marília

Troféu Glória Pires

Categoria "Não vi mas recomendo"
Donald Glover, aka Childish Gambino, é foda. Ele atua (saudades, Community!) e canta. E, agora, também produz. Atlanta, exibida pelo FX, é uma série meio comédia, meio drama, sobre dois primos (um dele, Glover) tentando navegar pela cena de rap em (tcharam!) Atlanta. Já indicada para vários prêmios, levou recentemente dois - um deles, o Critics' Choice de melhor ator em comédia. Ainda não vi, mas já recomendo. - Marília
Algumas vezes só precisamos ler um livro para querer ler tudo que aquela pessoa escrever dali para a frente. Aconteceu isso comigo com John Barth, Julian Barnes, Eimear McBride e, nesse caso, com Ali Smith. Seu livro How to be Both, de 2014, é ingenhoso e inteligente, o que fez com que seu novo livro, Autumn, se tornasse um dos mais esperados desse ano, para mim. Certamente vou lê-lo ainda no começo do próximo ano. - Emannuel

Troféu Glória Pires

Categoria "Premiei mas nem tá concorrendo"
Eu disse que 2016 não foi um ano muito bom para mim, cinematograficamente. Um dos motivos é ter me entregado com tudo para minha paixão por filmes antigos. Dentre esses, quis conhecer a filmografia de Ingmar Bergman. Talvez a Susan Sontag tenha me influenciado, mas Persona se tornou ums dos meus preferidos. - Emannuel
Tem coisa melhor que comida? Adoro ver receita, análise das modinhas gastronômicas, crítica de restaurante, mudanças na alimentação e por aí vai. Recentemente, meu namorado me mostrou o Munchies, um canal da Vice sobre comida. Pra além do food porn, dá para aprender muita coisa bacana e conhecer mais sobre esse mundo gordinho. Recomendo depois de dias estressantes. - Marília

Prêmio Nem Molejo Salva

Para tristezas, flops e coisas que mais detestamos em 2016
Num ano com golpe, PECs das mais esdrúxulas e uma guinada conservadora que deixa as nossas dúvidas sobre o futuro cada vez mais sombrias (e não é como se os riscos ambientais e capitalismo tradicional não fossem coisas ruins o suficente), a coisa que mais me assustou ainda assim, foi a eleição de Donald Trump nos EUA. Não basta pensar que aquele penteado horroroso vai ter um peso enorme na economia e política dos próximos anos, fazendo com que elas se tornem ainda mais sinônimos de miséria e repressão, mas saber que seus dedos gordos estão sobre o grande botão vermelho que pode explodir nosso planeta, nem que seja só para causar um inverno nuclear que lhe daria base para negar o aquecimento mundial. - Emannuel
2016... que mágoa né, pessoal? Como a realidade já está ruim o suficiente, escolhi dar uma aliviada aqui e "premiar" uma série muito ruim mesmo. E eu gosto de coisas ruins. Série ou filme ruim é pra esquecer a vida, desligar o cérebro, fazer as unhas e até rir com o roteiro com excesso de furos e ausência de sentido. Só que não deu pra fazer nada disso com The Ranch. Eu sei, é uma série com o Ashton Kutcher e com produtores de Two and a Half Men. Não esperava muito. Assisti na esperança do Danny Masterson (#HydeForever) equilibrar a chatice do Kutcher. Mas não. A série é fraca, o roteiro é ruim, as personagens são chatas, não dá pra simpatizar com ninguém e tudo é muito previsível. Não entendi como foi renovado para uma segunda temporada. - Marília

"Então é Natal. E o que você fez? O ano termina. E nasce outra vez."
Simone, Filósofa natalina

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